Blog sobre o Palmeiras, feito por um militante socialista

quinta-feira, 4 de março de 2010

Não vamos nem para a semi

Ontem não vi o jogo. Tive que resolver alguns problemas. Ouvi apenas a partir dos 15 minutos do segundo tempo. E o que ouvi? O narrador e o comentarista mandando abraços, para o fulano da pizzaria, sicrano da cervejaria, trocando receitas de bolo e, poucas vezes, narrando um ataque do Santo André, mas nenhum, nenhum mesmo, do Palmeiras. Moral da história? Sorte que não vi o jogo.
Em uma nota do POL li que o Palmeiras é um clube podre por dentro. Sim, é verdade. O movimento correto seria o da formação de grupos de Palmeirenses, que forçassem a partir de fora a modificação estatutária do Palmeiras, exigindo eleições diretas nas quais os sócio-torcedores pudessem votar (exigindo inclusive a própria modificação do risível programa de sócio torcedor do Palmeiras).
Muitos, com boa vontade, pretendem mudar o Palmeiras a partir de dentro, e acabam se aliando com alguma banda menos podre do clube. O problema é que alianças deste tipo condicionam as próprias ações que podem ser desenvolvidas. Esta é a principal crítica que fazem ao Belluzzo, o de se aliar com pessoas podres, sendo omisso ao que essas pessoas fazem.
O problema é o seguinte, o Palmeiras é comandado por famílias que possuem vínculo de muitos anos com o clube, participando por gerações de sua administração, por isso acabam pensando que o Palmeiras faz parte do seu patrimônio privado. é algo como a extensão dos negócios da família. Isso explica o fato de vira e mexe algum conselheiro ou diretor do clube colocar dinheiro pessoal para contratações, pagar algo, etc. Um absurdo que abre precedentes para a obtenção de benefícios pessoais.
Exigir mudanças vai além de comparecer em todos os jogos, pagar ingressos, etc. Uma postura política, ultrapassa a passividade do consumidor do produto futebol. A pessoa tem que ser ativa, ou seja, formar grupos, organizar reuniões, elaborar propostas, transformar as propostas em ação, avaliar qual é a melhor forma de ação para que seus objetivos sejam alcançados e muitas outras coisas. Isso significa que boa parte do seu tempo vai ser gasta nesta atividade.
O grupo pode ter dois tipos de ação, um é o de se organizar para reivindicar de quem está dentro do clube, no poder, para que a ação destas pessoas mude. Outro é o de pressionar para que este grupo possa ter voz ativa na política do clube. Isso significa que a maior parte dos grupos de torcedores, para participar ativamente da política do Palmeiras, deve pressionar para alterações estatutárias profundas.
O que importa não é exigir a cabeça de alguém, como se essa mudança resolvesse os problemas do Palmeiras, pois o problema do clube não está na pessoa A ou B, mas na própria estrutura política e administrativa que orienta o clube. Ela é a maior responsável pelo atraso do Palmeiras.
Por mais de uma vez defendi o Belluzzo, não faço isso por entender que as suas ações são sempre corretas, mas por achar que a oposição é muito pior. SInceramente o problema do Belluzzo é que ele faz parte da estrutura política e administrativa corrompida do clube. Para mudar isso deve existir comprometimento dele, mas também a movimentação dos reais interessados. E os reais interessados estão em sua maioria fora do clube. Não são os conselheiros, diretores, etc.
As torcidas organizadas poderiam fazer uma parcela deste papel, mesmo que eu entenda o papel sociológico limitado das mesmas. Porém, principalmente a Mancha, desenvolve a sua ação política no sentido da manutenção das atuais estruturas de poder, mudando apenas o grupo político que comanda o clube. Na verdade eles defendem os argumentos da oposição, que é pior do que a ruim situação.
Em maio de 68, durante levantes operários e estudantis que aconteceram no mundo todo, mas principalmente na França, uma das frases que se via escrita era para que as pessoas exigissem o impossível, hoje é mais possível mudar a política do Palmeiras do que o fazer voltar a ser o grande Palmeiras, competitivo e de títulos. Pois então, vamos à luta.

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