Blog sobre o Palmeiras, feito por um militante socialista

domingo, 12 de setembro de 2010

Comissão de notáveis elabora mudanças estatutárias para o Palmeiras

Desânimo. Esta palavra resume o sentimento do palmeirense nos últimos anos. A maior parte dos palmeirenses se sente assim por causa da falta de títulos. Particularmente acho mais grave a falta de perspectivas, corroborada por mais uma tentativa rídicula de se afirmar que as coisas estão mudando quando realmente nada muda.
Coloco, a seguir, algumas das propostas para mudanças estatutárias do Palmeiras:
a- diminuir de 3 para dois anos o prazo para votar nas eleições e de 8 para 7 anos o prazo para ser votado;
b-eleger a comissão de sindicância junto com o COF;
c-diminuir de 90 para 52 o número mínimo de pessoas para montar uma chapa
 d- votação em até 5 candidatos, não mais em 1;
e- redução do número de vitalícios de 148 para 100;
f-pseudo redução do número de diretorias;
g- Extinguir a Diretoria de Acervo Histórico.

Vamos por pontos. Os pontos centrais que deveriam ser mudados para uma mudança estrutural do clube são os pontos A, C, D e E. Observamos que não houve mudança real alguma. Diminuir um ano para votar e ser votado, modificar o número de votos para 5 por pessoa e reduzir os vitalícios em um terço, não afeta em nada a atual estrutura política do clube. As pessoas e famílas que se perpetuam na estrutura política do clube permanecessem, não há uma real possibilidade de renovação. O instrumento mais arcaico de qualquer instituição política nacional (o conselheiro vitalício) permanece.Reais modificações passariam por modificar o programa de sócio torcedor, separar a estrutura do clube social e do time, permitir votação de todos os sócio-torcedores, eleições diretas para presidente e fim dos conselheiros vitalícios. Talvez a única modificação benéfica seja a redução do número mínimo de pessoas para composição de chapas, mas mesmo esse ponto é essencialmente secundário.
Os pontos f e g, se adequam a certa geopolítica do clube, ao readequar as diretorias você agrada as pessoas que dão mais votos. Apenas isso.
Por último, eleger a comissão de sindicância junto a eleição para o COF, só funcionaria se houvesse eleição nominal para as pessoas deste órgão. Se for por proporção entre chapas sempre a situação vai ter mais membros que a oposição. Normalmente comissões de sindicância só funcionam em casos extremos, para punir erros graves. No Palmeiras criou-se uma cultura, por parte dos Amigos do Mustafá, de utilizar este órgão para perpetuar perseguições políticas. Se não fosse por isso, esta também seria uma mudança absolutamente secundária.
Como podemos ver o setor mais avançado da política palmeirense ficou dois anos no poder e não conseguiu mudar nada. Não mudou pois não tem poder para se contrapor aos interesses arraigados em solo palestrino. Na realidade, a não ser que exista um escândalo público de enormes proporções não há chance alguma das modificações no Palmeiras acontecerem por dentro do clube.
A solução passaria por grupos organizados de torcedores, pressionando publica e constantemente o clube por modificações profundas. As torcidas organizadas não cumprem esse papel, se alinham a grupos políticos internos. Os grupos de torcedores que se formam, quando se interessam em discurtir a política do clube normalmente é porque estão inseridos nela. Entendem que a solução passa por se associar, esperar anos e anos e tentar realizar alguma modificação no clube "por dentro". Até lá já foram engolidos pela lógica da máquina palmeirense.
Ou seja, de um ponto de visa não engajado, apenas como observador, tão covarde quanto cômodo, entendo que os tempos sombrios permanecerão no Palestra Itália. Os resultados no futebol continuarão os mesmos. E os torcedores, cada vez mais encarnando o seu papel de consumidores, vão apenas reclamar sem agir, como acontece com os consumidores de qualquer outro produto. Quando muito, utilizarão o Código de Defesa do Consumidor, vulgo Estatuto do Torcedor, para individualmente realizar uma reclamação e ficar com a consciência tranquila de quem "cumpre o seu dever".

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